ARTIGOS PARA LEITURA

Este ano o tema da redação do ENEM vem de encontro com a proposta do Ensino Religioso desenvolvido no Estado do Paraná. O combate à intolerância Religiosa já foi assunto em um dos nossos Informativos que servem como subsídio de trabalho para os estudantes do 1º ao 9º ano: 

http://www.ensinoreligioso.seed.pr.gov.br/arquivos/File/boletins_informativos_assintec/informativo_assintec_36.pdf 


Como tema do ENEM veja a entrevista dada "em coletiva de imprensa, a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini, afirmou que o tema foi uma oportunidade de provocar reflexões na juventude: “Eu espero que a reflexão desse tema tão festejado possa de fato trazer para nossa juventude o ideário de reflexão de tolerância, de respeito aos Direitos Humanos, as nossas diversidade de crença, de religião.”



Para saber mais, acesse o link:

http://www.brasil.gov.br/educacao/2016/11/intolerancia-religiosa-e-tema-de-redacao-do-enem


Postado em: 07/11/2016

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A LUGARIDADE SAGRADA INDIGENA GUARANI NÃNDEWA DO TEKWA XI’INGUY DA REGIÃO DO MORRO DO ANAHANGAVA

EM QUATRO BARRAS-PR


http://www.geografia.ufmt.br/neer/ANAIS/dif/Eixo%2002%20pdf/EIXO%202%20GT1%20ARTIGO%201_ELOI.pdf




Publicado em 21/08/2015




O LEGADO RELIGIOSO DOS AFRO-DESCENDENTES NA FORMAÇÃO HISTÓRICO CULTURAL BRASILEIRA: POSSIBILIDADES PARA O ENSINO DE HISTÓRIA


http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/163-4.pdf


Esta pesquisa sobre o Legado Religioso dos Afro-Descendentes, na formação histórico cultural brasileira, objetiva evidenciar algumas possibilidades de uso deste tema no ensino de História tais como: destacar a sua importância; compartilhar as produções para que assim possam ser utilizadas pelos professores. Inicialmente é apresentado o Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE, que possibilitou esta pesquisa. Em seguida, a pesquisa bibliográfica ressaltando a vinda dos negros para o Brasil que trouxeram consigo um legado cultural e religioso e sua influência decisiva na formação históricocultural do nosso país. Num outro tópico, destaca-se a possibilidade e aplicação desta pesquisa conforme prevê a lei 11.645/08, a partir da construção de um material didático, no formato Folhas, com a participação de professores da Rede Pública de Ensino. O artigo finaliza com as experiências práticas realizadas nas escolas estaduais e a implementação da pesquisa em algumas escolas da Rede Pública Estadual.




O LÚDICO NO ENSINO RELIGIOSO


http://www2.pucpr.br/reol/pb/index.php/2jointh?dd1=7449&dd99=view&dd98=pb

SILVA, Brígida Karina Liechocki Nogueira[1]- ASSINTEC


brigidakarina@yahoo.com.br


RESUMO


Mediante as mudanças paradigmáticas no contexto sócio-educacional um dos maiores desafios lançados ao profissional docente é desenvolver uma prática pedagógica inovadora alicerçada numa educação emancipadora, a partir de realidades adversas encontradas na sala de aula. Buscando compreender a complexidade desse processo educativo com base na experiência vivenciada pela pesquisadora numa escola pública do município de Curitiba-PR, este estudo procurou propor uma metodologia para as aulas de Ensino Religioso subsidiada por teorias na área da educação, cuja contribuição seja propiciar práticas pedagógicas a fim de criar um ambiente estimulador do processo de ensino-aprendizagem e contemplando os diferentes estilos de aprendizagem. Esta pesquisa é o resultado de um trabalho tendo a sala de aula como lócus de investigação a partir de uma problemática inerente, apresentada no desenvolvimento do trabalho na área do conhecimento de Ensino Religioso nos anos iniciais do ensino fundamental, que se refere à transposição didática dos conteúdos e os encaminhamentos metodológicos efetivados, tendo como enfrentamento fatores como o desinteresse dos alunos em aprender e as dificuldades de aprendizagem, oriundas de um contexto social em meio à adversidade e resultando em baixos índices de desempenho escolar. Para a coleta de dados foram utilizadas estratégias da metodologia de abordagem qualitativa, sendo que a investigação recorreu às técnicas da aprendizagem colaborativa. A análise dos dados foi apoiada em autores como Behrens (2010), Schön (2000), Gardner (2000), entre outros. Os resultados apontaram a importância de uma prática pedagógica diferenciada com base na práxis reflexiva na ação docente como propulsora de um processo de ensino-aprendizagem efetivo a partir do trabalho lúdico na área de Ensino Religioso.


Palavras-chave:
Ensino Religioso. Prática Pedagógica. Lúdico.





1 INTRODUÇÃO






Num momento histórico de constantes mudanças paradigmáticas um dos maiores desafios lançados ao professor é desenvolver uma prática pedagógica que acompanhe tais exigências.
A sociedade atual tem-se caracterizado pela busca desenfreada por progresso intensificando as desigualdades refletidas no contexto escolar. Neste sentido, a relevância em relatar a experiência vivenciada nas aulas de Ensino Religioso numa escola pública do município de Curitiba-PR, permite afirmar que mesmo diante de uma realidade adversa a ação docente pode transformar conteúdos escolares em aprendizagem significativa e emancipadora.
O estudo sobre “O lúdico no Ensino Religioso” tem a sala de aula como lócus de investigação a partir de uma problemática inerente, apresentada no desenvolvimento do trabalho na área do conhecimento de Ensino Religioso nos anos iniciais do ensino fundamental, que se refere à transposição didática dos conteúdos e os encaminhamentos metodológicos efetivados, tendo como enfrentamento fatores como o desinteresse dos alunos em aprender e as dificuldades de aprendizagem, oriundas de um contexto social em meio à adversidade e resultando em baixos índices de desempenho escolar, conforme os indicadores das pesquisas nacionais sobre a qualidade da educação (Ideb - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
O objetivo desta pesquisa é desenvolver uma metodologia para as aulas de Ensino Religioso subsidiada por teorias na área da educação, cuja contribuição seja propiciar práticas pedagógicas a fim de criar um ambiente estimulador do processo de ensino-aprendizagem e contemplando os diferentes estilos de aprendizagem, promovendo concomitantemente meios de contribuir para o avanço no nível de desempenho escolar.


2 MUDANÇA DE PARADIGMA: RUMO À PRÁTICA PEDAGÓGICA INOVADORA NAS AULAS DE ENSINO RELIGIOSO




A dinâmica da sala de aula atualmente denuncia que o processo de ensino e aprendizagem baseados na reprodução do conhecimento já não respondem satisfatoriamente à demanda dos aprendizes no contexto sócio-educacional vigente.
O grande desafio é alicerçar uma prática pedagógica compatível com as mudanças paradigmáticas, superando o ensino tradicional e propondo novas formas de ensinar priorizando a construção do conhecimento.
De acordo com Behrens (2010, p.111) nesta perspectiva de desenvolver uma prática pedagógica em consonância com o paradigma emergente[2] de educação, o professor se torna o articulador e o mediador do processo pedagógico, atuando em parceria com os alunos, propondo atendimento diferenciado, trazendo novos recursos e estratégias de ensino, provocando situações desafiadoras instigando assim o aluno a buscar e a investigar novos caminhos passando de mero receptor de informações a um ser aprendente a partir de uma aprendizagem significativa, com autonomia, de maneira contínua, como um processo de aprender a aprender para toda a vida.
Nesta perspectiva de uma prática pedagógica inovadora, as aulas de Ensino Religioso podem ser esse espaço de interação para a construção do conhecimento e não somente de assimilação de conteúdos.
O trabalho lúdico nas aulas de Ensino Religioso vem ao encontro da necessidade de uma prática pedagógica que crie um meio/ambiente estimulante para o aprendizado. O desenvolvimento desta proposta se dá com base na práxis articulando teoria e a prática reflexiva docente.




A busca por uma educação de qualidade com intervenções e estratégias no processo de ensino e aprendizagem, voltadas à valorização da diversidade humana – nem todos os alunos aprendem da mesma maneira e a aprendizagem difere de acordo com os níveis de desenvolvimento de cada aluno – denota a importância de se desenvolver atividades que contemplem os diferentes estilos de aprendizagem, o que requer uma nova forma de ensinar e demanda de respostas educativas criativas para as situações reais de sala de aula.
Mediante este panorama, o novo paradigma educacional requer professores com um perfil criativo, dinâmico e principalmente competente para sua efetivação. Assim se faz necessário um novo profissional crítico e reflexivo que atue frente aos desafios da educação e que, tendo a consciência do seu papel, alimente o próprio desejo em transformar-se.
Neste sentido, o professor necessita estimular sua capacidade crítica e reflexiva, para o que precisa se perceber e agir como pesquisador. O professor nesta nova perspectiva profissional precisa ser reflexivo e investigativo de sua prática docente ressignificando a práxis educativa.
Schön (2000), partindo dos pressupostos epistemológicos e pedagógicos de autores como John Dewey, Lev Vigotsky, Jean Piaget entre outros e, contrariado com a forma de ensinar proveniente de uma construção científica e usada pelo docente como algo absoluto, propõe uma alternativa para a prática docente, defendendo um tipo ensino que valorize o saber do aluno, auxiliando-o a fazer uma junção do seu conhecimento na ação com o conhecimento sistematizado na escola. A este tipo de ensino e construção do conhecimento que os profissionais desenvolvem a partir da reflexão sobre as suas práticas, "pensar o que fazem, enquanto fazem", em situações de incerteza, singularidade e conflito, denominou-se como uma reflexão na ação.
O autor ainda menciona "que os problemas da prática do mundo real não se apresentam aos profissionais com estruturas bem-delineadas" e que, "na verdade, eles tendem a não se apresentar como problemas, mas na forma de estruturas caóticas e indeterminadas" (SCHÖN, 2000, p. 16).
Esta proposta visa um ensino prático reflexivo diante de situações imprevistas em que não há respostas prontas ou procedimentos de acordo com um padrão. O autor utiliza a expressão "talento artístico profissional" para referir-se "aos tipos de competências que os profissionais demonstram em certas situações da prática que são únicas, incertas e conflituosas" (SCHÖN, 2000, p. 29).
Na relação dialética entre teoria e prática o professor, mediante às situações adversas em sala de aula, precisa recorrer às teorias pedagógicas que direcionam para a melhor forma de ensinar a partir da concepção de homem que se quer formar determinando assim a sua prática pedagógica e consequentemente a sua didática. Ao pensar a sala de aula como um espaço de construção do conhecimento, a didática é fundamental para o processo de ensino-aprendizagem.



No processo de ensino-aprendizagem cabe ao professor a transposição didática dos conteúdos sistematizados para um saber escolar adequado a partir da possibilidade de compreensão, estabelecimento de relação significativa do novo conhecimento e respeitando-se as fases do processo de formação cognitiva do aluno (MELO; URBANETZ, 2008).
Assim sendo, a experiência do trabalho lúdico no Ensino Religioso tem como embasamento os pressupostos teóricos do Construtivismo de Piaget, no Interacionismo de Vygotsky, na Integração e Afetividade de Wallon, na Aprendizagem Significativa de Ausubel e nas Inteligências Múltiplas de Gardner, considerando a afirmativa de Lakomy (2008, p.18)
Nesse sentido, podemos afirmar que o conhecimento dessas teorias, em particular no âmbito escolar, inspira o uso de estratégias sobre como o professor poderia estimular o desenvolvimento cognitivo e o processo de aprendizagem do seu aluno de forma mais produtiva e duradoura. Ou seja, os conceitos apresentados pelas teorias permitem a elaboração de novas práticas de ensino. As teorias cognitivas não fornecem “respostas prontas”, mas são pontos de partida para novas reflexões sobre a atividade docente, suscitando a busca por alternativas e/ou explicações para o desenvolvimento de novas práticas pedagógicas que ofereçam condições para o aluno desenvolver-se em todos os seus aspectos.
A pesquisa sobre o trabalho lúdico nas aulas de Ensino Religioso traz como diferencial uma experiência significativa de prática pedagógica inovadora, combinando as diversas concepções de aprendizagem que comungam entre si a idéia do aluno como centro do processo ensino-aprendizagem, como construtor ativo do seu conhecimento e desenvolvimento global (cognitivo, afetivo, social, motor, lingüístico e ético), conforme GARDNER (2000) afirma



[...] que se mostrará muito mais proveitoso ofertar uma variedade de abordagens e estratégias pedagógicas ao aluno, com múltiplas formas de apresentar informações (texto, imagens, vídeo, multimídia interativa, entre outras) e ferramentas para apoiar as mesmas, respeitando as várias inteligências e estilos de aprendizagem dos alunos.


O professor, neste enfoque, tem o papel de mediador no desenvolvimento desses aspectos, estimulando o conhecimento por meio das várias teorias da aprendizagem e buscando novos projetos educativos como a metodologia de aprendizagem colaborativa.




O conceito de aprendizagem colaborativa apresentada por Santos; Behrens (2006) implica na necessidade de substituir o tradicional método de educação “instrucional”, composto por aulas expositivas, palestras e estudos individuais por um novo modelo, onde alunos possam construir conhecimento por meio da criação ativa, tendo o professor como coordenador e facilitador desse processo.

Neste contexto, Gardner (2000) sugere que o professor realize um trabalho pedagógico que estimule a autonomia, a responsabilidade e a interação dos alunos com seus pares para que estes possam gerar novos conhecimentos, novas investigações e descobertas, explorando novos estímulos com base nos conteúdos apreendidos de forma interdisciplinar, utilizando estratégias como: jogos pedagógicos, trabalhos em grupo, entre outras possibilidades de interação da comunidade de aprendizagem.




O lúdico se apresenta como uma dessas possibilidades no processo de ensino-aprendizagem. Aprender brincando é uma forma de oferecer à criança o ensino dos conteúdos em sala de aula por meio de brincadeiras e jogos, onde a função lúdica vai propiciar a diversão para os mesmos fazendo assim um estímulo educativo, fugindo da rigidez dos padrões conteudistas. Porém, o acompanhamento sistemático deste trabalho com jogos e brincadeiras se faz relevante conforme alerta Kishimoto (2003, p.37)
A utilização do jogo potencializa a exploração e construção do conhecimento, por contar com a motivação interna, típica do lúdico, mas o trabalho pedagógico requer a oferta de estímulos externos e a influência de parceiros bem como a sistematização de conceitos em outras situações que não jogos.


Na ludicidade, o aluno se torna sujeito ativo do processo de construção do conhecimento. Assim sendo, a prática pedagógica com alunos dos anos iniciais do ensino fundamental a partir do trabalho lúdico é um elemento do processo educativo que pode favorecer o desenvolvimento de um novo paradigma no contexto sócio-educacional em resposta aos desafios impostos ao trabalho docente e de acordo com as necessidades e interesses dos alunos (RAU, 2011).

3 METODOLOGIA




Devido à especificidade do tema e com base no objetivo proposto, optou-se por uma pesquisa por meio de metodologia de abordagem qualitativa, que segundo Bogdan e Biklen (1982 apud ANDRÉ; LÜDKE, 1986, p. 11-13) é um tipo de estudo que envolve a obtenção de dados descritivos, através do contato direto do pesquisador com a situação estudada e enfatizando mais o processo do que o produto.
A estratégia de pesquisa utilizada foi baseada nos pressupostos da pesquisa-ação, sendo caracterizada
como uma importante modalidade de investigação que articula teoria e prática possibilitando ao pesquisador uma atuação efetiva sobre a realidade estudada convertendo num processo de reflexão-ação, assim aprende-se com a prática refletindo sobre ela e interferindo nela. A pesquisa-ação essencialmente implica mudança, transformação e intervenção social (BARBIER, 2002).

As etapas definidas para esta investigação recorrem primeiramente na constatação do problema no contexto de sala de aula a partir da situação real de crise; o envolvimento dos alunos para uma tomada de consciência numa ação coletiva; o estudo sobre as teorias de aprendizagem; planejamento e aplicação de técnicas em sala de aula com base neste estudo como fontes de evidências para a coleta de dados em conformidade com os objetivos específicos da pesquisa em contemplar os diferentes estilos de aprendizagem a partir de uma prática pedagógica diferenciada; a observação participante; os registros diários e a coleta de dados por meio de instrumentos mais interativos e dinâmicos; o feedback como meio de avaliar, analisar e interpretar os dados na coletividade.

A obtenção dos dados, no contexto de uma escola da rede municipal de ensino de Curitiba – PR, em que se apresenta uma realidade adversa com índices de desempenho escolar abaixo dos níveis esperados para esta etapa, vem de encontro à pesquisa realizada no ambiente natural, que é a fonte direta de dados sendo o pesquisador o seu principal instrumento (ANDRÉ; LÜDKE, 1986). O estudo do processo de ensino-aprendizagem nas aulas de Ensino Religioso ocorreu de maneira que durante a pesquisa puderam-se criar situações a fim de observar e coletar dados referentes às intervenções pedagógicas realizadas.


3.1 O universo da pesquisa





A delimitação do campo de pesquisa se dá a partir do enfrentamento na área de atuação profissional da pesquisadora mediante um contexto pedagógico desafiador.
A pesquisa é realizada em uma escola da rede municipal de ensino de Curitiba – PR, em que se apresenta uma realidade adversa com índices de desempenho escolar abaixo dos níveis esperados de acordo com os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Situando a unidade educacional, foco desta pesquisa, insere-se em um local cuja comunidade é extremamente carente, onde grande parte das famílias vive em invasão habitacional, com situações precárias de saneamento e higiene. Região esta, que se configura como insalubre e potencializadora de doenças e acidentes infantis, na qual a parcela majoritária dos pais/responsáveis das crianças trabalha na informalidade, como coletores de papel, havendo também muitos desempregados.
Partindo da realidade da maioria dos alunos, que vivem em situação de extrema marginalidade social e conforme disposto na Proposta Pedagógica (2008) da escola campo de pesquisa, são de famílias que apresentam condições sócio-culturais precárias, o que não permite o acesso a bens culturais (computador, livros, entre outros). Estas crianças são muitas vezes privadas, no contexto da comunidade, deste envolvimento com recursos diversificados para o estímulo de habilidades básicas, o que acarreta na deficiência de pré-requisitos para o desenvolvimento da aprendizagem, cabendo à escola proporcionar este espaço para a sua efetivação. Nestas privações também encontram-se muitas vezes o ato de brincar, pois algumas destas crianças precisam estar juntas com a sua família depois da escola para ajudar na coleta de papéis pelas ruas dos bairros vizinhos.

Os participantes da pesquisa foram alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental sendo 2 turmas de 4º ano e 1 turma de 5º ano ( 97 alunos ao todo diretamente envolvidos neste estudo). Havendo também a socialização deste trabalho para 4 turmas de 3º ano (115 alunos).


3.2 Relato da coleta de dados





Durante o ano letivo de 2012, nas aulas de Ensino Religioso da escola campo de pesquisa, os conteúdos apresentados (Espaços Sagrados, Símbolos Religiosos, Tradições Religiosas, Líderes Religiosos e Textos Sagrados) foram trabalhados a partir de diferentes estratégias e encaminhamentos metodológicos.
Inicialmente para cada conteúdo foram conduzidos momentos de diálogo com o propósito de contextualizar cada assunto a partir dos conhecimentos prévios dos alunos.
Na etapa seguinte partiu-se para a sistematização dos conceitos e dos conhecimentos acerca de cada conteúdo conforme os seguintes exemplos:
- Para o trabalho com os espaços sagrados foram utilizadas imagens as quais foram analisadas. Em seguida foi elaborada coletivamente uma lista dos locais sagrados estudados. Depois da lista pronta, foi promovido um “Bingo dos locais sagrados”. Cada aluno fez uma cartela com quatro espaços sagrados selecionando-os da listagem e conforme o sorteio cada aluno marcava na cartela o respectivo local sagrado descrito se tivesse em sua cartela. Além desta, foi realizada outra atividade em duplas: “Cruzadinha dos locais sagrados”. Posteriormente foi realizada uma pesquisa sobre o tema no laboratório de informática e a culminância deste trabalho foi a produção de maquetes as quais foram socializadas na escola por meio de uma exposição.
- Para o trabalho com os símbolos sagrados, os alunos trouxeram símbolos religiosos os quais foram expostos no centro do círculo. Então foram comentados os significados destes símbolos. Foi dada a oportunidade para os alunos manipularem os objetos simbólicos sendo ressaltada a importância do respeito às diferentes crenças. Foi também realizada a atividade “Jogo da memória dos símbolos religiosos” onde os alunos puderam identificar os símbolos religiosos e estabelecer seus significados.

- O conteúdo que trata dos líderes religiosos foi trabalhado com imagens, ressaltando alguns aspectos da vida, dos ensinamentos e dos fatos ocorridos.
- Para o trabalho sobre os textos sagrados, os alunos trouxeram os livros sagrados das suas tradições, os quais foram apresentados e comentados. Além desses livros, a professora trouxe diversos livros de outras religiões os quais foram manuseados pelos alunos e procedeu-se a explicação sobre estes textos sagrados. Diversos mitos indígenas e afro-brasileiros foram apresentados em forma narrativa, a partir de técnicas de contação de história, e em vídeos, especialmente mitos de criação do mundo e do homem.





Ao final do 2º semestre, a revisão dos conteúdos abordados anteriormente culminou na proposta de atividade lúdica no ER, a partir da confecção de jogos, sendo desenvolvida no final do ano letivo a fim de proporcionar um feedback dos conteúdos trabalhados. O trabalho foi direcionado para as turmas de 4º e 5º ano e a metodologia adotada foi com base nos grupos colaborativos.
As turmas foram divididas em 5 grupos temáticos: Espaços Sagrados, Símbolos Religiosos, Tradições Religiosas, Líderes Religiosos e Textos Sagrados. Os materiais alternativos, utilizados nesta atividade, foram previamente solicitados aos alunos. A professora trouxe as imagens e palavras impressas relacionadas aos temas, assim como demais materiais necessários para a confecção dos jogos, sendo fundamental neste trabalho que as imagens e palavras contemplem tradições religiosas das matrizes ocidentais, orientais, indígenas e africanas.
Este processo de construção e consolidação do conhecimento teve a duração de 4 aulas semanais de 50 minutos:
1ª aula – Apresentação aos alunos da proposta de um trabalho de confecção de jogos tais como: jogo da memória, dominó entre outras possibilidades de jogos a partir dos temas: Espaços Sagrados, Símbolos Religiosos, Tradições Religiosas, Líderes Religiosos e Textos Sagrados. A professora organizou os grupos temáticos, distribuiu os materiais, auxiliou na definição das funções de cada componente conforme as habilidades e no planejamento das atividades. Os alunos iniciaram a confecção dos jogos e suas regras.
2ª aula – Confecção dos jogos nos grupos colaborativos. A professora nesta etapa coordenou os grupos atendendo as possíveis dificuldades na elaboração dos jogos, mediando os conflitos e o processo de ensino e aprendizagem na interação entre os componentes de cada grupo. Como a avaliação é processual, a professora verificou em cada etapa de construção do conhecimento os progressos com relação à associação de significados entre as imagens e palavras de acordo com cada tradição religiosa apresentada.
3ª aula – Finalização da confecção dos jogos (autoavaliação/organização da apresentação). Nesta etapa os alunos avaliaram seus jogos na prática, revendo suas regras e quando necessário reformulando as etapas. Os grupos prepararam e ensaiaram suas apresentações. Também foi importante na finalização, a plastificação das peças com a fita adesiva para que permita uma maior durabilidade dos jogos.
4ª aula – Apresentação dos jogos elaborados pelos grupos. Os alunos apresentaram seus jogos. Cada integrante avaliou sua aprendizagem. A turma avaliou cada grupo apresentado. A professora realizou a avaliação final.
Os materiais e recursos didáticos utilizados neste trabalho foram arrecadados previamente pelos alunos, sendo essencialmente materiais recicláveis tais como: caixas de fósforos, caixas de pasta de dente, caixas de leite, tampas de embalagens descartáveis, imagens e palavras impressas, cola, tesoura e fita adesiva larga.
Como critério de avaliação verificou-se durante a realização da atividade proposta se os alunos identificaram e reconheceram os símbolos religiosos, os lugares sagrados, textos sagrados, líderes religiosos e as diferentes tradições religiosas associando as imagens às suas definições, funções ou atribuições.


3.3 Análise dos resultados





PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM - Este trabalho lúdico com a construção de jogos de Ensino Religioso proporcionou um verdadeiro ambiente estimulador da aprendizagem contemplando a construção do conhecimento, o trabalho colaborativo/cooperativo nos grupos, a autonomia, o desenvolvimento das competências e habilidades, o respeito aos diferentes ritmos de aprendizagem, a interdisciplinaridade, os conhecimentos prévios, a resolução de problemas, a autoavaliação, a compreensão e aprofundamento de conceitos, entre outros aspectos identificados durante a realização desta pesquisa.

ALUNOS ENVOLVIDOS - O interesse despertado nos alunos foi além das expectativas do início do trabalho. Houve um comprometimento e envolvimento na elaboração dos jogos de tal maneira que a mediação da professora só ocorria em pontuais situações de conflito.
Os alunos apresentaram habilidades até então desconhecidas pela professora, tais como: liderança, criatividade, organização, companheirismo, capacidade de síntese, estrutura textual na elaboração das regras dos jogos, alteridade, etc. Além da aprendizagem significativa dos conteúdos demonstrada por meio dos jogos e principalmente pela interação entre pares nos grupos.
ALUNOS DE OUTRAS TURMAS - Entre os alunos de 3º ano a motivação despertada pelo trabalho dos alunos de 4º e 5º ano foi determinante para o reconhecimento do sucesso da proposta. Ao brincarem com os jogos criados pelos colegas, eles demonstraram grande interesse, curiosidade, cuidados com os jogos e principalmente vontade de aprender na interação proporcionada no momento do jogo.
PROFESSORES - Professores de outras áreas do conhecimento confirmaram a dimensão que este trabalho estava tomando ao relatarem os comentários positivos dos alunos em suas aulas sobre as aulas de Ensino Religioso com os jogos.
COMUNIDADE ESCOLAR – Na exposição dos trabalhos mais significativos durante o ano letivo, os pais e a comunidade escolar puderam observar os jogos e manuseá-los com admiração por terem sido construídos pelos próprios alunos a partir dos conteúdos trabalhados no ER.
ENSINO RELIGIOSO – Ao ser apresentado no final de um curso de capacitação para professores de Ensino Religioso, este trabalho foi indicado para a divulgação nos eventos de comunicação de experiências:
- Jornada de Ensino Religioso (PUCPR) / 2012
- II Compartilhando Experiências no Ensino Religioso (PMC) / 2012
- Revista Diálogo (Publicação) /2013


4 CONSIDERAÇÕES FINAIS





A problematização inicial apresentou como desafio uma prática pedagógica que desse conta do processo de ensino-aprendizagem mediante um contexto social adverso que, consequentemente não permitia a abertura dos alunos para a vontade de aprender.
A relevância desta experiência com a realização de atividades lúdicas e na construção de jogos, embora concentrada em 4 aulas, revelou-se um processo amplo e muito significativo de ensino-aprendizagem, não só pela aprendizagem dos conteúdos de Ensino Religioso, mas também pela estratégia de ensino com base nos grupos colaborativos. Foi uma oportunidade de avaliação tanto dos conteúdos aprendidos de Ensino Religioso, também das competências esperadas para o final desta etapa nas turmas envolvidas, assim como do próprio trabalho da professora.
A autonomia, as relações de interdependência entre os alunos e a postura de construtores do conhecimento trouxeram a qualidade e a relevância deste trabalho com a produção de jogos de Ensino Religioso a partir dos talentos individuais dos alunos que, enquanto parceiros, professora e alunos desenvolveram um processo de aprendizagem colaborativa para buscar a produção do conhecimento.
Ao longo do trabalho, foi oportunizado aos alunos momentos de aprendizagem de forma integral levando em conta vários aspectos do desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor, além do currículo oculto que “é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que, sem fazer parte do currículo oficial, explícito, contribuem, de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes (...) o que se aprende no currículo oculto são fundamentalmente atitudes, comportamentos, valores e orientações..." (Silva, 1999)
O trabalho lúdico nas aulas de Ensino Religioso proporcionou o desenvolvimento no processo de ensino e aprendizagem em vários aspectos:
- o prazer de aprender brincando;
- a variedade de abordagens e estratégias ofertadas aos alunos com múltiplas formas de apresentar informações, respeitando as várias inteligências e estilos de aprendizagem dos alunos;
- o auxílio no processo de alfabetização a partir do estabelecimento de relação nas associações de significados entre as imagens e palavras;
- a familiarização e apropriação de simbologias, conceitos, denominações, atribuições, funções, entre outros aspectos das tradições religiosas;
- a autoavaliação contínua realizada pelos alunos de seus progressos e limitações;
- as possibilidades de se trabalhar com outras áreas do conhecimento como na produção escrita das regras dos jogos (texto instrucional);
- a motivação interna, típica do lúdico, potencializando a exploração e a construção do conhecimento através dos jogos;
- a contribuição na aprendizagem dos alunos de 1º, 2º e 3º ano a partir da socialização dos jogos criados pelos alunos de 4º e 5º ano;
- a metodologia de aprendizagem colaborativa promovendo a atualização contínua de habilidades de cada aluno nos grupos onde, aprender foi uma atividade social que precisou de colaboração;
- o trabalho em equipe compartilhando ideias e informações e gerando novo conhecimento;
- as características da alteridade sendo vivenciadas nas resoluções de problemas e conflitos surgidos das interações entre pares de diferentes níveis de aprendizagem.
Os objetivos alcançados nesta pesquisa denotam a importância de uma prática pedagógica diferenciada com base na práxis reflexiva na ação como propulsora de um processo de ensino-aprendizagem de sucesso. A garantia do aprendizado é o foco principal da escola, mas as condições para tal se dão a partir do comprometimento profissional do professor com a qualidade da educação e no enfrentamento dos desafios impostos no contexto sócio-educacional.

Nesta perspectiva, a educação pode tomar rumos emancipadores na promoção de uma formação humanizadora decorrentes de experiências como esta prática pedagógica na área de Ensino Religioso, que teve como diferencial a preocupação com o respeito aos diferentes estilos de aprendizagem e assim, o despertar no aluno o sentimento de pertencimento e possibilidades de transformação da sua realidade.

REFERÊNCIAS





ANDRÉ, Marli E. D. A; LÜDKE, Menga. Pesquisa em educação:
abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.

BARBIER, René. A pesquisa-ação. Tradução por Lucie Didio. Brasília: Plano, 2002. Série Pesquisa em Educação, v.3.

BEHRENS, Marilda Aparecida. O paradigma emergente e a prática pedagógica. Petrópolis, RJ: 4.ed. Vozes, 2010.

CURITIBA, Prefeitura Municipal. Secretaria Municipal da Educação. Caderno Pedagógico: critérios de avaliação para a aprendizagem escolar. Curitiba, 2008.

CURITIBA, Prefeitura Municipal. Secretaria Municipal da Educação. Caderno Pedagógico de Ensino Religioso. Curitiba, 2006

CURITIBA, Secretaria Municipal da Educação. Diretrizes Curriculares para a Educação Municipal de Curitiba. Volume 3 – Ensino Fundamental. 2006.

GARDNER, H. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

KISHIMOTO, T. (Org.) Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 11.ed. São Paulo: Cortez, 2008.

LAKOMY, Ana Maria. Teorias Cognitivas da Aprendizagem. Curitiba: IBPEX, 2008.

MELO; URBANETZ. Fundamentos de didática. Curitiba: IBPEX, 2008.

PROPOSTA PEDAGÓGICA.
Curitiba. 2008.

RAU, Maria Cristina Trois Dorneles. A ludicidade na educação: uma atitude pedagógica. 2.ed. Curitiba: IBEPX, 2011.

SANTOS, Resciel Gerson; BEHRENS, Marilda Aparecida. A aprendizagem colaborativa e as inteligências múltiplas. In: VI Congresso de Educação da PUCPR. Anais do VI Educere. Curitiba, 2006.

SCHÖN, Donald A. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Quem escondeu o currículo oculto. In Documento de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte, Autêntica, 1999: 77-152.






[1] Graduada em Pedagogia com especialização em TICs na Educação – Teoria e Prática pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná e com especialização em Metodologia do Ensino Religioso pela UNINTER; Professora de Ensino Religioso no Ensino Fundamental pela Prefeitura Municipal de Curitiba e pela Prefeitura Municipal de Pinhais; atualmente membro da equipe pedagógica da ASSINTEC (Associação Inter-Religiosa de Educação).

[2]
Organização histórica atual do processo metodológico numa dimensão caracterizada como inovadora tendo como eixo central a produção do conhecimento e como base a visão sistêmica, propondo uma ciência que supere a fragmentação em busca do todo e que contemple as conexões, o contexto e as inter-relações dos sistemas que integram o planeta. (BEHRENS, 2010, p.14)